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Foto: Alfredo Matos

Sara Tavares

É difícil reconhecer a Sara Tavares que nos foi revelada, faz agora 22 anos. Não porque renegue os primórdios da sua carreira; apenas porque 22 anos decorreram entretanto e ela tomou as rédeas da sua carreira com uma invulgar determinação.

O seu primeiro álbum foi gravado com o coro gospel Shout!; o segundo, “Mi Ma Bô”, propunha uma sonoridade de fusão afro-pop-soul raramente tentada em Portugal, registada em França e produzida pelo franco-congolês Lokua Kanza. Chegaria ao Disco de Ouro em Portugal– inabitual num mercado onde a música de raízes negras só muito raramente atinge os primeiros lugares de vendas.

Ambos foram passos de gigante em direcção a uma sonoridade pessoal e intransmissível, onde as
suas raízes cabo-verdianas, o seu amor pela soul e a sua facilidade com uma melodia contribuem para criar uma verdadeira música do mundo.

Uma música do mundo alimentada pelos encontros e pelas viagens que Sara Tavares fez ao longo dos anos, a partir do momento em que “Mi Ma Bô” começou a viajar e a sua autora com ele. Tinha já havido concertos em África e na Europa, colaborações com músicos brasileiros (como Ivan Lins), espanhóis ou alemães.

Mas foi uma triunfal actuação no mercado de world music WOMEX, em Roterdão, na Holanda, que lhe abriu as portas do mundo: actuações em Espanha, Itália, Finlândia, Suiça, Alemanha, Bélgica, França, Namíbia, Zimbabué, Cabo Verde, Angola, Moçambique...

À medida que Sara Tavares viajava, e que as suas experiências enriqueciam a sua música, ela descobria também uma nova simplicidade, uma confiança cada vez maior na sua voz.

“Balancê”, o terceiro álbum, foi ao mesmo tempo a prova de que este talento não estava disposto a manter-se fechado em gavetas; o seu verdadeiro cartão de visita internacional, com edição um pouco por todo o mundo; e a confirmação de uma cantora-compositora capaz de fazer a ponte entre África e a Europa com uma sensibilidade pessoalíssima. Tudo reconhecido pelo sucesso comercial (em Portugal, “Balancê” atingiu o Disco de Platina) e pela aclamação da crítica (Sara Tavares foi nomeada como Artista Revelação para os prémios BBC de World Music em 2007).

Mas todas as viagens implicam também um regresso a casa para descansar, recuperar energias e decidir o próximo destino. É exactamente a esse regresso que Sara Tavares nos convida com “Xinti”: descobrir estas 14 canções é descobrir o modo como o seu talento cresce com cada nova viagem, como a sua visão do mundo não exclui mas inclui. E o privilégio de podermos fazer parte dessa descoberta é algo de inesquecível.

Depois de, em 2010, a sua tournée ter sido interrompida por razões de saúde, em 2011 Sara Tavares foi chegando devagarinho;
Primeiro, ganhando o prémio de Melhor Voz Feminina nos Cabo Verde Music Awards, logo em Fevereiro;
Depois, colaborando em estúdio com vários artistas, nomeadamente os Buraka Som Sistema, editado em Outubro;
Partilhando experiências e o palco com Nelly Furtado e Joss Stone nos festivais de Verão.
Em 2012, continuando nos palcos nacionais e internacionais, com a sua tournée “Xinti” onde, em Maio, recebeu na Alemanha o prémio anual do África Festival 2012, em reconhecimento da sua carreira;
Entre Maio e Dezembro participou também em diversos espectáculos de Homenagem a Cesária Évora, retomando o seu espectáculo no inicio de 2013, apresentando-se na Europa, África e Caraíbas.

Em 2014, Sara Tavares celebrou 20 Anos de Música! A celebração tomou forma em dois espectáculos completamente esgotados no Teatro São Luis, que se iluminou nessas noites mostrando uma Sara Tavares madura, serena e fazendo completamente do palco a sua casa, ao qual se juntou um público completamente rendido e saboreando cada momento.

No meio desta celebração fez nascer, em conjunto com o actor/encenador Fernando Nobre, o espectáculo “Bom Feeling” – um espectáculo de teatro musical dedicado aos mais novos, com texto de Fernando Nobre, música de Sara Tavares tocada e cantada ao vivo e onde ambos vestem personagens que interpretam em palco. Este espectáculo foi apresentado em Novembro no Teatro-Estúdio Mário Viegas, em duas sessões rapidamente esgotadas e com grande alegria e receptividade por parte do público infantil.

2015 foi um ano de colaborações em disco e ao vivo: Carlão, António Chaínho, Ferro Gaita, entre outros, e em 2016 continuará a levar estes 22 Anos de Música a outros palcos, dentro e fora de Portugal;
Bom Feeling – o espectáculo infantil também irá andar por aí;
E tudo isto, enquanto prepara o seu novo disco!


 

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